
Mudar de ar e testar estéticas diferentes faz parte da jornada de qualquer artesã. Se você costuma acompanhar meus trabalhos aqui no site e no meu canal no YouTube, o Rosália Rosarinha Bordado, sabe que o meu estilo de bordado costuma ir por outros caminhos. No entanto, decidi experimentar algo diferente: uma ecobag inspirada na estética Boho.
O estilo boho precisa ser sempre terracota?
O estilo Boho (derivado de Bohemian, região da Boêmia na República Tcheca) nasceu da livre mistura de influências artesanais, estéticas ciganas europeias e daquele “espírito livre” que permeou as décadas de 1960 e 1970 do século passado. No popular, dá para dizer que é uma tendência hippie. Hoje, o chamado Boho Moderno costuma ser associado a formas orgânicas, elementos botânicos e uma paleta marcante de tons terrosos.
Mas se você pensa que é obrigatório usar terracota para criar algo Boho, este projeto que apresento agora vem para provar o contrário! Usei uma combinação um tanto mais vibrante em verde e rosa sobre o algodão cru para personalizar uma peça utilitária, uma ecobag.
Eu amo o contraste de cores complementares (como roxo com amarelo ou azul royal com laranja). Para esta peça, a combinação de rosa com verde funcionou perfeitamente — e não apenas porque sou apaixonada pela Estação Primeira de Mangueira e pela sensibilidade de Cartola ao consagrar essas cores no pavilhão da escola. É que a paleta de cores no artesanato é algo parecido com cartão de banco: pessoal e intransferível. Não importa qual é a cor da moda, o importante é que a paleta de cores tenha o resultado visual que agrada a você. Aproveito para falar que bordado livre não precisa seguir muitas regras e que eu amo o caos do bordado livre.
Neste artigo, vou detalhar o processo de confecção desta sacola e compartilho logo abaixo o passo a passo em vídeo.
Aplicação em tecido e bordado botânico
A proposta desta peça é sobrepor camadas. O fundo ganha blocos de cor com formas geométricas e, por cima, entra o desenho botânico.
Para criar esse fundo colorido sem precisar preencher áreas gigantescas apenas com fios, o segredo é a aplicação em tecido (appliqué).
Mas caso você não queira aplicar tecido, essas mesmas formas geométricas do fundo podem ser preenchidas com tinta para tecido. E digo tinta para tecido porque a ecobag é uma peça utilitária, que será lavada com frequência. Portanto, evite tintas aquareladas que na lavagem vão desbotar. Opte por tinta própria para tecido.
Por que usar o ponto caseado na aplicação?
A aplicação com ponto caseado é uma técnica muito tradicional no patchwork e no quilting. Ao cortar as formas circulares nos retalhos e fixá-las no painel da ecobag, o caseado cumpre dois papéis fundamentais.
O primeiro é a funcionalidade. O ponto caseado sela a borda do tecido aplicado, impedindo que ele desfie com o uso diário e com as lavagens.
E o segundo é a estética. O caseado cria um contorno artesanal super charmoso, destacando as formas geométricas do fundo.
Para facilitar a aplicação, gosto muito de usar entretela termocolante. Corto a forma na entretela, aplico no tecido com o ferro de passar e só depois posiciono na peça. Isso estrutura o retalho, evita que o tecido fique enrugado e facilita muito a costura. Mas, se preferir, você também pode prender o tecido apenas com alfinetes. Use o método que for mais prático para você.
O bordado botânico e a escolha dos pontos
Depois de fixar os círculos em rosa e verde com o ponto caseado, entra a camada que dá vida ao desenho: os ramos de folhas.
Para criar um contraste marcante, usei linha preta se sobrepondo às cores do fundo. O ponto escolhido para os galhos e folhas foi o clássico ponto atrás, que é simples, acessível para iniciantes e perfeito para desenhar linhas contínuas e curvas suaves.
O ponto atrás é o verdadeiro fundamento do bordado livre. Inclusive, tenho um texto completo aqui no blog dedicado a esse ponto. No entanto, para criar variações nesse mesmo risco, você também pode explorar o ponto pirulito ou o ponto haste.
Bordar primeiro ou depois da costura?
Uma dúvida muito comum de quem quer personalizar peças utilitárias é: devo bordar a bolsa pronta ou fazer a peça do zero?
Para sacolas e bolsas, é infinitamente melhor bordar o tecido plano antes de costurar e fechar a peça. Trabalhar com o painel aberto permite encaixar o bastidor sem o volume das costuras laterais ou das alças atrapalhando.
Ao costurar a bolsa do zero, você pode adicionar um forro (usei chita no meu projeto). O forro é indispensável em sacolas para evitar que chaves ou objetos pontiagudos enrosquem no avesso do bordado e o desfaçam. É claro que também dá para usar bolsa pronta e inserir o forro depois, mas dá mais trabalho, principalmente porque dobra sobre dobra de tecido é mais difícil de costurar em máquinas de costura domésticas.
Já em roupas, a lógica costuma se inverter. É preferível bordar a peça já costurada (especialmente se o risco passar por cima de alguma emenda de costura), garantindo que o desenho fique perfeitamente posicionado e não entorte no corpo.
Nota de artesã para artesã: Eu não sou costureira profissional e este não é um tratado acadêmico de costura! Minha prática vai até saia evasê e ecobags. O foco aqui é a costura utilitária: criar uma peça bonita, resistente e funcional para o seu dia a dia.
Risco Gratuito em PDF
Quer fazer a sua própria ecobag Boho? Deixei o risco com as marcações dos círculos e o desenho botânico pronto para você baixar e imprimir.
Materiais utilizados
✔ Tecido base para a ecobag: Algodão cru
✔ Tecido para o forro: Chita
✔ Tecido para a aplicação: Tricoline (rosa e verde)
✔ Estruturação: Entretela termocolante
✔ Linhas: Linha meada para o bordado e linha de poliéster para a costura da sacola
✔ Ferramentas: Bastidor, agulha de costura para bordar, tesoura, ferro de passar e máquina de costura doméstica

Quer explorar mais desenhos no estilo botânico?
Se você gostou deste projeto e quer continuar criando peças exclusivas sem precisar desenhar do zero, conheça o Caderno de Riscos Florais. São 50 riscos exclusivos prontos para imprimir e bordar, pensados para aplicar em ecobags, panos de prato, vestuário e quadros de bastidor!
Jornalista, artesã com registro oficial SUTACO e criadora do Rosália Rosarinha Bordado e do Agulhas da Resistência.