
Por muito tempo permaneci calada nas redes sociais – um espaço eu sempre adorei explorar. Nesse silêncio, deixei de lado algo que prezava profundamente e que sempre me trouxe alegria: me expressar por meio das palavras.
Escrever, compartilhar pensamentos e dividir perspectivas… tudo isso foi sufocado por um ambiente que cada vez mais se assemelha a uma arena. Um espaço onde o que parece importar é a busca por curtidas e engajamento, em vez de diálogo genuíno.
A toxicidade tomou conta. Dependendo da opinião expressa, os ataques vêm carregados de grosseria, e o ódio prolifera contra aqueles que sempre foram oprimidos – seja pelo patriarcado, pelo capitalismo ou por qualquer sistema que tenta silenciar quem desafia os moldes estreitos dessa suposta “normalidade”.
Essa patrulha do pensamento, enraizada na masculinidade tóxica, me fez recuar por muito tempo. Ainda assim, a vontade de escrever nunca me abandonou, mesmo durante períodos em que me sentia intimidada.
Essa vontade permaneceu latente, aguardando o momento certo para emergir. E agora, sinto que é hora de voltar. Não importa se dizem que os blogs perderam apelo ou que as pessoas não leem mais. Escrever é mais do que ser lido; é um ato de expressão, liberdade e resistência.
Portanto, aqui estou eu, retomando as palavras e resgatando minha voz. Porque, no fim das contas, é escrevendo que me sinto verdadeiramente parte do mundo.
Jornalista, bordadeira, artesã e criadora de Rosália Rosarinha Bordado e Agulhas da Resistência.