
O 1º de Maio de 2026 chega carregado de urgências. Em meio ao debate sobre jornadas exaustivas e o fim da escala 6×1, fica evidente que não existe negociação justa quando o lado mais fraco é sempre o trabalhador. Falar em transformar 6×1 em 5×2 sem reduzir a carga horária é apenas reorganizar o cansaço. Trata-se de manter a lógica de exploração. O que importa de verdade é garantir trabalho digno, descanso real e emprego para todos.
A luta contra a escala 6×1 e a precarização
Hoje, a maioria dos senadores e deputados do Congresso, que deveria defender os interesses da população trabalhadora, atua de forma alinhada aos que detém o poder econômico, detém o capital. Propostas que deveriam fortalecer direitos acabam servindo para proteger quem já concentra poder. Em vez de ampliar turnos e contratar mais pessoas, empresas preferem esticar jornadas até o limite humano.
Para entender um pouco mais sobre essa rotina de exploração do poder econômico sobre o trabalhador, assista ao documentário Carne, Osso (Repórter Brasil — 2011):
Em ano de eleição, essa disputa fica ainda mais explícita: escolher representantes comprometidos com quem vive do próprio trabalho é uma necessidade, não um detalhe. Ainda assim, vemos parlamentares empenhados em pautas que nada têm a ver com justiça social — como anistias que beneficiam quem atentou contra a democracia — enquanto direitos básicos seguem ameaçados.
A inteligência artificial e roubo do traço artístico
É importante destacar que a precarização do trabalho também é acelerada pela substituição do trabalho humano pela inteligência artificial (IA), assim como, no passado, máquinas substituíram trabalhadores. A IA já ocupa funções em diversas áreas. E isso também atinge quem vive das artes manuais e visuais.
Ilustradores, chargistas, designers e artesãos sentem na pele o avanço de tecnologias que se apropriam do trabalho humano sem pagar direitos autorais ou sequer citar a fonte. Pode-se dar o nome que for, mas trata-se de roubo. É o caso da geração de imagens do ChatGPT imitando o traço criado por artistas do Studio Ghibli, conhecido pelo filme A Viagem de Chihiro (2001).
Nesse cenário, cresce uma inquietação real entre artistas: o medo de que a IA roube e substitua o gesto manual. No entanto, pelo menos por enquanto, há algo que nenhuma máquina replica: o gesto humano. No caso das artes manuais, essa ainda exige presença, tempo, intenção. Afirma aquilo que o ritmo acelerado tenta apagar.
O bordado como reivindicação do ritmo humano
É justamente por isso que o bordado à mão que ilustra este post existe. Porque bordar é um ato de paciência, mas também de afirmação. Enquanto as máquinas aceleram a produção e desumanizam nosso tempo, o bordado à mão reivindica o direito ao ritmo humano. Cada ponto neste punho cerrado lembra que nossa força está na coletividade.
Você pode bordar esse mesmo punho, onde coloquei a frase “Trabalhadores do mundo, uni-vos!”, uma abreviação do chamado feito no Manifesto Comunista, escrito por Karl Marx e Friedrich Engels em 1848: “Proletários de todos os países, uni-vos!”. Você pode escolher outras palavras, mas é importante lembrar que esse gesto de punho erguido pertence à luta do trabalhador. Por favor, não a use para reforçar a exploração.
Seguimos afirmando
Neste 1º de Maio, seguimos afirmando: trabalhar menos, trabalhar todos, produzir o necessário, distribuir tudo.
Trabalhadoras e trabalhadores do mundo, uni-vos.

Caderno de Riscos Florais
Um caderno de riscos pensado para facilitar o seu processo de bordar, do começo ao fim.
Jornalista, bordadeira, artesã e criadora de Rosália Rosarinha Bordado e Agulhas da Resistência.

