
Antes de começar a bordar, há um ritual de preparação que dá forma a qualquer projeto. No caso do Manifesto Bordado – e eu explico no texto anterior como tudo começou – essa etapa de definição dos processos e escolha dos materiais serve de garantia para que o resultado saia como esperado (ou próximo disso), que saia como foi idealizado.
Para mim, o bordado começa a se materializar primeiro na minha cabeça, antes de se transformar fisicamente sobre o tecido. Ou seja, antes de dar o primeiro ponto, sigo um ritual de preparação que estrutura todo o processo. O manifesto bordado começa aqui, com escolhas que influenciam formato e composição.
Definição do tamanho e impressão do risco
O primeiro passo é definir o tamanho do bordado e, para isso, parto da forma como ele será exposto quando estiver finalizado.
Pretendo colocá-lo em uma moldura retangular na horizontal, então o tamanho do desenho depende da moldura que escolhi. Neste caso, quero que a peça seja pendurada na parede, então já determino como ela será emoldurada, mesmo que essa seja a última etapa do processo.
A moldura será tamanho A4, então imprimo o risco em uma folha sulfite A4. No meu caso, o desenho foi criado no computador com maioria de elementos do canva, mas você pode fazer à mão, garantindo que ele tenha as dimensões corretas para o espaço onde será bordado.
Se eu fosse bordar essa peça em uma moldura de bastidor redondo, por exemplo, faria a composição dos elementos adaptados ao formato circular. No caso do risco deste bordado – e que você pode baixar gratuitamente – eu fiz nos formatos retangular e circular.
Escolhendo o tecido
Para este bordado, escolhi o algodão cru (que é quase sempre a minha primeira opção). O algodão cru é um tecido barato e que me dá muita segurança para bordar. Gosto de trabalhar com tecidos de fibra natural, como algodão, linho e cânhamo. No entanto, mesmo entre os tecidos com a mesma base há diferenças. E a escolha de um ou de outro depende da peça a ser produzida.
Se eu fosse bordar um vestido, por exemplo, eu usaria o brim, por ser macio e resistente. Para bordar um lençol, usaria percal pelo toque suave. Mas veja que todos são tecidos com base 100% algodão. No caso do meu manifesto bordado, por ser um quadro, prefiro usar o algodão cru, um tecido engomado, menos “escovado”, digamos assim, e que traz a estrutura que quero à peça final.
Passando o risco para o tecido
Com o tecido definido, é hora de transferir o risco. Para isso, coloco o risco impresso embaixo do tecido e faço a cópia com uma caneta térmica, que apaga com o calor. Ao finalizar o bordado, apago o risco passando a peça no ferro de passar roupa ou com um secador de cabelo.
Essa técnica funciona muito bem no algodão cru com espessura fina ou média – no meu caso, vou usar o tecido na espessura média. Se eu fosse usar um tecido mais grosso, usaria uma mesa de luz ou papel carbono para transferência. No final deste texto, eu deixei o vídeo do meu canal Rosália Rosarinha Bordado no Youtube em que explico três formas de passar o risco para o tecido. E você também pode ver neste vídeo logo abaixo a forma como passei o risco desto manifesto bordado para ilustrar.
Separando o material para bordar
Com tudo pronto, chega o momento de organizar o material. Para este bordado, vou usar:
✔ Linha meada Mouliné da Anchor (marcas como DMC e Maxi Mouliné da Círculo também são boas opções)
✔ Agulha de costura de tamanhos diferentes, ajustadas conforme a quantidade de fios utilizados
✔ Bastidor de plástico com tarraxa, de 20 cm ou 16 cm de diâmetro, dependendo do tamanho do elemento bordado
✔ Suporte para bastidor, ideal para bordar com as mãos livres em pontos como nó francês e ponto margarida (no final deste texto coloquei um quadro com diversas opções de suporte para bastidor)
Escolhendo cores e pontos
Agora vem uma das etapas mais intuitivas do processo: a escolha das cores. Em bordados como este, não defino todas as cores antecipadamente. Gosto de deixar a criatividade fluir, escolhendo os tons conforme o bordado avança. E eu curto contrastes, misturas que aparentemente são caóticas, mas atraentes ao meu olhar.
Cada elemento será bordado separadamente, e os pontos também se apresentam ao longo do processo. Mas já adianto que pretendo usar somente pontos básicos, de fácil execução. E sobre a paleta de cores eu tenho de explicar a você que em alguns projetos escolho as cores previamente, mas neste bordado, prefiro descobrir as combinações conforme ele ganha forma.
Agora que tudo está preparado, está na hora de dar o primeiro ponto neste Manifesto Bordado!
Vou compartilhar fotos e vídeos mostrando como ele está evoluindo – cada cor escolhida, cada detalhe que se transforma com cada ponto.
E você, como gosta de preparar seu bordado? Prefere definir tudo antes ou deixar que cada fio guie o caminho?
Veja aqui como transferir o risco para o tecido
Borde com as mãos livres!
Jornalista, bordadeira, artesã e criadora de Rosália Rosarinha Bordado e Agulhas da Resistência.