
Em mais uma etapa do Manifesto Bordado, avanço na construção do banner bordado do site Agulhas da Resistência, explorando texturas e formas que ampliam o repertório visual e simbólico da peça. O bordado da margarida, a representação de uma meada e de um novelo de linha têm destaque no processo, revelando como o bordado livre permite experimentações e variações criativas que vão além dos pontos tradicionais.
Este texto faz parte da série que acompanha todo o processo do Manifesto Bordado, desde sua concepção até a finalização. Nos textos anteriores, compartilhei a origem do projeto, os primeiros pontos bordados e os elementos visuais que compõem o risco. Se você quiser acompanhar todas as etapas, clique aqui para acessar os artigos anteriores da série. Você também pode baixar gratuitamente o risco para bordar comigo ou adaptar o desenho ao seu próprio estilo ☟.
Margarida bordada: força e delicadeza
A margarida é um dos elementos que mais gosto de bordar. Além de trazer memórias da minha infância – tinha um jardim na casa da minha tia-avó Amália com um canteiro cheio de margaridas – é uma flor recorrente no universo do bordado e carrega uma forte associação com o feminino.
No Manifesto Bordado, ela aparece como símbolo de delicadeza, mas também de resistência. Para bordá-la, utilizei o ponto matiz para as pétalas, nó francês para o miolo e o ponto pirulito para fazer o cabo desta flor tão delicada. Essa combinação dá volume, textura e movimento à peça.
Meada e novelo: o fazer manual como símbolo
Outro destaque desta fase são os elementos que representam o próprio fazer manual: uma meada de linha e um novelo com agulha de crochê. Ambos são essenciais para quem borda, costura ou crocheta. São instrumentos de trabalho, mas também carregam significado: são o que nos permite criar e transformar.
O bordado da meada foi feito com linhas sobrepostas, criando o efeito visual sem seguir um ponto tradicional. Já o novelo foi bordado com ponto cheio, mas com sobreposição de camadas para dar volume e profundidade. A agulha de crochê foi bordada com ponto pirulito, que tem como base o ponto atrás e que cria um traço contínuo e homogêneo na finalização.
Essas escolhas mostram como o bordado livre permite liberdade de criação. Podemos usar os pontos conhecidos ou reinventar o uso da agulha e da linha para alcançar o efeito desejado. Como já falei anteriormente aqui neste espaço sobre o caos criativo do bordado livre, o céu é o limite.
Nesta etapa, também produzi dois vídeos que mostram o processo de construção desses bordados: um dedicado à margarida e outro à meada e ao novelo. Eles estão disponíveis no meu canal no YouTube, Rosália Rosarinha Bordado, e também serão compartilhados aqui no blog.
Bordado livre como linguagem visual
O bordado livre é uma linguagem visual que permite romper com o convencional. Ao bordar uma flor ou uma meada, não estamos apenas reproduzindo formas, mas expressando nossas ideias, afetos e escolhas. Cada ponto é uma decisão estética e política. E neste manifesto, cada elemento bordado carrega um pouco da minha trajetória e das referências que me definem.
Materiais utilizados nesta etapa
✔ Linha meada Mouliné Anchor, 100% algodão mercerizado nas cores branco (001), bege (367), amarelo (290), verde (269), azul (161), cinza (235), roxo (101) e marrom (370)
OBS: A linha meada tem seis fios, mas neste bordado eu usei entre 2 fios e 3 fios, além de 6 fios para a produção da meada. Para preenchimento em ponto cheio usei 3 fios; para linhas retas e ponto matiz, 2 fios.
✔ Agulha de costura número 10 (bem fininha), número 9 (para uso de 3 fios da meada) e número 7 (para os seis fios da meada)
✔ Bastidor de plástico com tarraxa de 25 cm de diâmetro, para que o risco inteiro esteja dentro do espaço de bordado
✔ Suporte para bastidor de madeira, que facilita o processo, especialmente para bordar a meada e o nó francês, permitindo o uso das duas mãos
Agora sigo para a reta final do Manifesto Bordado, preparando o último texto da série, que vai reunir reflexões sobre o processo e apresentar o resultado completo deste projeto que une técnica, expressão e resistência.
Jornalista, bordadeira, artesã e criadora de Rosália Rosarinha Bordado e Agulhas da Resistência.